Celoricense de 32 anos é fã do Messenger e tem 800 amigos no Hi5, de Marcelo Rebelo de Sousa ao bispo de Fátima. Crê que o futuro do catolicismo passará, obrigatoriamente, pelo audiovisual e Internet. João Paulo Coelho Alves nasceu há 32 anos em Fervença, Celorico de Basto, e estreou-se como pároco há sete em Macieira de Rates, Gueral e Courel, sul de Barcelos, onde permanece. Está ainda a um ano de concluir o doutoramento em Direito Canónico na Universidade Pontifícia de Salamanca. E é fá das tecnologias, "para aproximar" a Igreja da nova geração. Curiosamente, o padre Manuel Vilas Boas, da freguesia vizinha de Pedra Furada, foi precursor a levar a Igreja ao audiovisual, pelo "70x7" na RTP e pelas rádios Renascença e TSF. João Alves aderiu há dois anos à rede social online do Hi5, "por sugestão dos miúdos da paróquia e curiosidade". Hoje supera 800 amigos, até brasileiros ("um desafiou a ir lá de férias"), espanhóis ("um é militar de Barcelona"), quatro padres e ilustres como o bispo de Leiria/Fátima, António Marto, ou o político Marcelo Rebelo de Sousa. "Os convites vêm sempre do outro lado, aceito tudo. Envio mensagens de aniversário, pedem conselhos e gosto de pôr fotos, tenho o arquivo carregadíssimo", sorri. A exposição não gerou problema no meio rural onde exerce, "só admiração" de adultos e os jovens acham-no "mais de acordo" com eles. No perfil virtual surge "comprometido", "mas com Deus". Ser padre no Hi5, tendência crescente entre seminaristas, levou muitos internautas a duvidarem, "mas aceitaram". Ainda assim, um rapaz fez-lhe "crítica cerrada" no referendo ao aborto. João Alves diz que o sucesso do Hi5 deve-se à "necessidade de se ter cada vez mais amigos, querer sempre mais, mas isso atrofia a relação humana". A palavra amizade "banalizou-se, um jovem ter centenas de amigos virtuais pode significar pouco" no dia-a-dia, explica. "Houve uma mudança muito grande nos adolescentes e jovens em cinco anos. Basta ver a violência gratuita, as reacções na escola e família. As novelas 'Morangos com Açúcar' e 'Rebelde Way' criaram-lhes novos modelos, influenciados a nível comercial, havendo desorientação total para um tronco comum na sua vivência. Uma forma de mudar isso é pelas redes sociais e é aí onde a Igreja encontra os jovens, através de um modo de estar diferente, sério e verdadeiro", resume o sacerdote. Mas a aposta evangelizadora "mais próxima" é via emails (tem vários) e, sobretudo, o Messenger (MSN). "Fico às 3 da manhã com os jovens, de câmara ligada, em diálogo directo e íntimo, a ajudar em problemas. Aprendo com eles e eles comigo", confessa, continuando: "Já fiquei parado uma hora na fronteira de Portugal para falar com alguém e não pagar tanto". Regista as conversas numa pen de 32GB, para "talvez um dia fazer um livro", nunca identificando visados. O pároco gere um blogue interno da sua faculdade e os paroquianos desafiam-no a criar um blogue local, mas tem hesitado, "há quem comente com segunda intenção e a net deve servir o bem". Quando findar o doutoramento quer retomar a pasta das Comunicações Sociais do arciprestado barcelense, investindo em vídeos no YouTube e redes digitais, "os jovens desconhecem o que a Igreja é e o que faz".In JN
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